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    domingo, 6 de janeiro de 2013

    Pornografia eclesiástica - Eugene Perterson






    Existe uma tendência generalizada de nos esquivarmos das condições; mais
    comumente, essa fuga é alcançada ou por um encantamento artificial da igreja ou por
    seu repúdio. Fico muito ressentido quando pessoas tentam me atrair até Társis, pintando
    o trabalho pastoral como servir de sacerdote para os turistas do Mar Religioso —
    admirando as paisagens das Ilhas Gregas, parando em Roma para um tour pelas ruínas e
    museus, e finalmente chegando à lendária Társis.

    Esse encantamento artificial da igreja é pornografia eclesiástica — tirando fotos
    ou pintando quadros de congregações que não têm mancha ou mácula, algo que só
    existe em umas poucas igrejas por alguns curtos anos. Estes quadros exibidos de
    maneira provocante não possuem relacionamentos pessoais. Os quadros atiçam a cobiça
    por domínio, gratificação e por uma espiritualidade impessoal e sem envolvimento.
    Minha própria imagem de uma congregação desejável era lapidada por tal pornografia
    um templo com uma torre alta e uma congregação banal. Fico espantado e alarmado
    que, mesmo tendo parado há muito de olhar as revistas e cartazes nas paredes da minha
    imaginação vocacional, ainda estou vulnerável à sedução.

    O repúdio da paróquia ocorre mais repentinamente, muitas vezes pela imaginação
    de estruturas alternativas. Quantos de nós, no final de um longo dia de trabalho,
    sonhamos em começar um centro de retiro para ser freqüentado apenas por famintos e
    sedentos, ou em formar comunidades onde apenas pessoas muito motivadas podem
    entrar, ou em escapar para um seminário ou universidade onde as complexidades do
    pecado e os mistérios da graça não sejam mais uma preocupação vocacional, trocados
    pelas categorias formidáveis, porém mais manejáveis de ignorância e conhecimento?
    Tamanha fantasia retira a energia da realidade e nos torna petulantes.
    Nem todos são chamados para ser pastor. Existem diversos ministérios na Igreja
    de Cristo. Entretanto, nós que fomos designados para a vocação pastoral, devemos
    compreender e aceitar a natureza e as condições de nosso trabalho, e não do trabalho de
    outro.

    Congregações normais são a escolha de Deus para a forma da igreja num local, e
    os pastores são as pessoas designadas para dirigi-las no ministério. O apóstolo Paulo
    falou sobre a loucura da pregação; eu quero falar sobre a loucura da congregação. De
    todas as maneiras com as quais podemos nos comprometer no empreendimento da
    igreja, este deve ser o mais absurdo — este conjunto aleatório de pessoas que de alguma
    forma se ajuntam nos bancos das igrejas aos domingos, cantam sem entusiasmo
    algumas músicas das quais muitos não gostam, atentam ou não para os sermões de
    acordo com seu estado de digestão e os decibéis do pregador, além de serem
    desajeitadas em seus compromissos e atabalhoadas em suas orações.

    Entretanto, as pessoas que se sentam nestes bancos também sofrem
    profundamente e encontram a Deus em seus sofrimentos. São homens e mulheres que
    assumem compromissos de amor, são fiéis a eles em meio às lutas e tentações,
    produzem frutos de justiça, frutos espirituais que abençoam outros a sua volta. Bebês,
    cercados de pais e amigos esperançosos e alegres, são batizados em nome do Pai, do
    Filho e do Espírito Santo. Adultos, convertidos pelo Evangelho, surpresos e
    surpreendendo a todos que os conhecem, também são batizados. Os mortos são
    entregues a Deus nos funerais que dão um testemunho solene e alegre da ressurreição
    em meio às lágrimas de dor. Pecadores que honestamente se arrependem e
    confiantemente tomam o corpo e o sangue de Jesus e recebem uma nova vida.

    Estas, no entanto, estão misturadas a outras, que freqüentemente não são
    diferentes delas. Não acho, biblicamente, nenhuma outra forma de igreja. Nada em
    Israel me impressiona como sendo maravilhosamente atraente. Se eu estivesse buscando
    uma igreja no século vii a.C., acho que os templos egípcios e zigurates babilônicos ou
    os belos bosques dedicados a Asera nos verdes montes da Samaria seriam muito mais
    atraentes. Se eu estivesse em busca de uma religião no século i a.d., tenho certeza de
    que tanto a pureza da sinagoga quanto os rumores intrigantes das religiões de mistério
    gregas, ou até mesmo o humanismo helenístico com uma pitada de mitologia,
    ofereceriam muito mais atrativos para minha alma de consumidor.

    Apenas sessenta ou setenta anos após o Pentecostes, temos um relato sobre sete
    igrejas que exibiam mais ou menos a mesma qualidade de santidade e profundidade de
    virtude encontrada em congregações comuns hoje em dia. Em dois mil anos de prática,
    não melhoramos nada. Você poderia pensar que sim, mas a resposta é não. Todas as
    vezes que abrimos uma porta de igreja e damos uma cuidadosa olhada lá dentro, os
    encontramos novamente — os pecadores. Também encontramos Cristo. E nas
    pregações, nos sacramentos, mas inconveniente e embaraçosamente misturado a uma
    congregação de pecadores.

    É de se esperar nestas situações que com alguma freqüência certas pessoas se
    manifestem com algum novo projeto para melhorar as coisas. Elas querem purificar a
    igreja. Propõem torná-la algo que proclame ao mundo a beleza atraente do Reino. Com
    poucas exceções, essas pessoas são, ou logo se tornam, hereges, tomando apenas a
    porção do Evangelho que são capazes de administrar e aplicar às pessoas a sua volta,
    tentando construir uma versão de igreja que é tão bem-comportada e tão eficientemente
    organizada que não tem necessidade de Deus.

    Elas detestam tanto o escândalo da cruz quanto o da igreja. Não têm nada a ver
    com a congregação em Nínive. Elas vão velejar até Társis e começar de maneira nova,
    limpa e gloriosa.

    Entretanto, é da própria natureza do trabalho pastoral abraçar esse escândalo,
    aceitar essa humilhação e trabalhar diariamente com ela. Sem desprezar a vergonha e
    tampouco negá-la.

    Ao ouvir muitos pastores conversando com outros pastores quando estão longe de
    suas igrejas, você não acreditaria em nada disso. Todos contam histórias maravilhosas
    sobre programas de sucesso e conversões notáveis. Eu costumava ler esses livros e
    ouvir essas histórias, e ficava impressionado. Após alguns anos de cuidadosa leitura
    bíblica e observação de igrejas, não fico mais impressionado. Acho bem mais provável
    que esses pastores, à medida que dizem a verdade, estão dirigindo alguma forma de
    religião de mistério grega, ou um santuário de Baal, ou um desfile religioso babilônico.

    Fonte:PETERSON, Eugene. A vocação espiritual do pastor. 1ª Edição. São Paulo: Mundo
    Cristão, 2006. p. 29-30.

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