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    terça-feira, 28 de abril de 2015

    Número de muçulmanos que se convertem ao cristianismo aumenta em Berlim

    Grupo de muçulmanos convertidos ao cristianismo e batizados em Berlim - Graça Magalhães-Ruether / graça magalhães-ruether

    A Igreja da Trindade, evangélica luterana, não é a única da Alemanha que registra um movimento contra a corrente. Em todo o país, milhares de muçulmanos converteram-se ao cristianismo nos últimos anos. Segundo Gottfried Martens, de 52 anos, quanto maior é o debate sobre o fundamentalismo e o jihadismo na mídia, maior é também o interesse de jovens muçulmanos pelas religiões cristãs

    Como não consegue mais atender à demanda de todos os interessados, o pastor Martens, que batizou 350 muçulmanos no ano passado, pediu ajuda de paróquias vizinhas, que passaram a abrir mais espaço para receber os novos cristãos.

    Cada um tem uma história diferente para contar, mas há um elemento em comum: uma situação de conflito extremo. O iraniano Elia Hosseini, de 20 anos, sofreu na adolescência uma opressão dupla — da polícia religiosa e do próprio pai, um muçulmano fundamentalista que teria tentado assassinar o filho por não tolerar os contatos que este tinha com cristãos.

    — Ser cristão significa para mim ter a sensação da mais profunda liberdade — diz o iraniano, que todo domingo frequenta a igreja de Steglitz.
    Em Berlim, os novos cristãos preferem a igreja luterana, que tem liturgias mais festivas, com mais músicas sacras e um sermão mais longo. Mas também igrejas católicas do Ocidente do país, como em Colônia, registram um grande interesse de muçulmanos pela conversão.

    Talvez influenciado pela própria experiência, Hosseini diz que o cristianismo é a religião da alegria, enquanto o Islã é uma religião triste.

    — Aqui em Berlim, as pessoas sorriem quando cantam na liturgia; já nas mesquitas do Irã, eu só tinha vontade de chorar — lembra ele.

    O jovem iraniano ressalta, porém, que o problema não é a religião em si:

    — O problema é como a religião nos países islâmicos é instrumentalizada como parte do sistema de opressão. Uma religião que deixa as pessoas decidirem livremente se vão ou não à igreja, quais alimentos ou bebidas consomem, é um enriquecimento espiritual e não uma limitação da vida. Já o Islã é frequentemente o oposto.

    Segundo o pastor Martens, as entidades islâmicas, como o Conselho Central dos Muçulmanos da Alemanha, reagem com tolerância. Mas muitos dos convertidos são alvo de agressões de outros muçulmanos. Sobretudo os convertidos que moram no bairro de Neukölln, no Sul de Berlim, onde vivem mais muçulmanos, fundamentalistas e imãs pregadores da inimizade entre as religiões, os homens e mulheres jovens mantém sigilo absoluto de que foram batizados como medida da própria segurança


    Com informações do O Globo


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