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    segunda-feira, 2 de novembro de 2015

    A influência da Reforma Protestante na cultura ocidental: dois exemplos!



    A Reforma Protestante não representa apenas uma renovação da cristandade a partir de uma ou outra ênfase teológica, litúrgica e eclesiástica. O grande trabalho e a coragem do monge agostiniano Martinho Lutero representou avanços importantes na cultura ocidental. Da liberdade de expressão ao acesso à educação pública, o “princípio protestante” moldou inúmeros valores então estabelecidos.
    Vejamos dois exemplos desse legado.

    Indivíduo. É a partir da crença no "sacerdócio universal de todos os crentes" que a ideia de indivíduo ganha ainda mais força.  Ou seja, se todo homem regenerado é um sacerdote com livre acesso a Deus, logo, por que ele mesmo dependeria de decisões coletivas e distantes de si? A mediação do abstrato coletivo já não tem a mesma força. O protestantismo favorece a ideia de indivíduo, do homem que responde por si, do sujeito que tem responsabilidades próprias, que não depende do perdão de um sacerdote para encontrar a paz de espírito. Agora, o fortalecimento do indivíduo não é o mesmo que individualismo ou sociopatia, logo porque ninguém é uma ilha e a importância da congregação dos santos continua ativa no seio evangélico. No entanto, a congregação não é mais um meio salvífico e nem funciona como garantia do paraíso. Não é à toa que a ideia de autonomia seja tão forte em nações de formação protestante.

    Educação. Outro ganho da Reforma é a educação. O lema “somente as Escrituras” fortalece a figura do leitor e, ainda mais, do Livro dos livros. Há agora o livre exame da Sagrada Letra!  Assim como o judeu, o protestante é conhecido como o “povo do livro”.  As grandes empresas evangélicas são editoras, e não emissoras de rádio e TV. A Conde de Sarzedas, uma via comercial no centro de São Paulo (SP), por exemplo, é conhecida como a “rua dos crentes” e a maior parte das lojas são livrarias. Ou seja, mesmo no Brasil da baixa leitura o evangélico ainda lê mais do que a média da população. E a Bíblia não é apenas a Sagrada Escritura, mas um conjunto rico de 66 livros que incluem gêneros como poesia, prosa, história, literatura de sabedoria, literatura apocalíptica etc. Não há como absorver tamanha diversidade sem impacto social. Por muitos anos, é bom lembrar, em comunidades carentes do interior do país o único livro que muitos tinham era a “Bíblia dos crentes” e o evangélico, mesmo analfabeto, fazia o esforço de leitura para alcançar a oportunidade de pregar e estudar a Palavra. É, também, com o protestantismo em sua insistência educacional que se iniciou o impulso à escola pública começando pela Escola Bíblica Dominical.

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    Bom, fiquemos nesses dois exemplos, pois a lista é grande e aberta. O pulsar do dia 31 de outubro de 1517 ainda constrói caminhos que não conhecemos em sua inteireza. A Reforma é um ganho acima de tudo para o cristão, que passou a recuperar a fé em Cristo e não em suas obras, mas também transformou o Ocidente para melhor. Nenhum grupo dentro do protestantismo é dono da Reforma e muito menos de suas consequências. O "princípio protestante" é justamente o protesto constante a qualquer reivindicação absoluta de realidades relativas. Portanto, o essencial para a Reforma está tão somente e suficientemente em cinco fundamentos: Somente a Fé, Somente a Escritura, Somente Cristo, Somente a Graça e Somente a Deus a Glória. Vamos continuar a levantar essas bandeiras para o avanço da igreja e da sociedade.
    Por: Gutierres Fernandes Siqueira
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