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    sábado, 30 de janeiro de 2016

    Crer é também pensar - John Stott - Resenha

     
    Esta é a resenha de um livro que, apesar de não ser lançamento, possui um conteúdo muito atual e acima de tudo relevante para os nossos dias e para nós como cristãos do século XXI.
    “Crer é também pensar” foi escrito por John Stott (pastor e teólogo anglicano britânico, nascido em 27 de abril de 1921, e falecido em 27 de julho de 2011), e contém apenas 83 páginas.
    Vou iniciar com um trecho contido na contra-capa do livro, e que resume a ideia central e a proposta final do autor:
    “O que John Stott almejava combater quando apresentou a palestra que se tornou este livro, era o anti-intelectualismo cristão. A mensagem era direcionada principalmente aos ritualistas que valorizavam o desempenho da igreja em vez do pensamento, aos ativistas ecumênicos que consideravam a reforma social uma substituta da doutrina e aos evangélicos pentecostais que absolutizavam a experiência em detrimento da reflexão. Como solução, Stott clamava por equilíbrio: que a reflexão profunda viesse ao lado do ritual, do ativismo e da experiência.”
    A partir daí, farei uma análise simples sobre cada um dos 4 capítulos presente nesta obra, citando alguns trechos que julguei dignos de serem destacados:
    CAPÍTULO 1: CRISTIANISMO TOLO
    Neste capítulo inicial, Stott fala de forma breve sobre a realidade contida em Romanos 10:2:
    “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento.”
    Muitos cristãos atuais creem erroneamente que a fé é oposta à razão. Como consequência óbvia, são levados por “todo vento de doutrina” (Efésios 4:14), pois não cultivam a prática do ‘pensar’ e ‘refletir’ a respeito de suas crenças, experiências e ações. Outros estão envolvidos em todo tipo de “prática cristã”, como projetos e ativismos em prol da causa da igreja, porém, com motivações erradas e distorcidas. São zelosos e prestativos, porém não possuem o real conhecimento a respeito daquilo que estão fazendo. Existem ainda os que deixam suas “experiências sobrenaturais” ditarem o que é verdade e o que deixa de ser. Para estes, a doutrina é o de menos. Esse é o “mal do anti-intelectualismo” citado por Stott, que diz que estas “são rotas de fuga para evitar a nossa responsabilidade dada por Deus de usar a mente de forma cristã.” e nomeia esse assunto de “a pobreza e o dano de um cristianismo tolo”. Caímos nestes erros pois temos nos alimentado de pregações rasas e superficiais, que no lugar de nos estimular a estudar e ponderar sobre as verdades eternas, nos motivam a sermos guiados por emoções e sentimentalismo barato.
    O fato é: precisamos de um equilíbrio. Não devemos cair no extremo oposto e abraçar um “cristianismo acadêmico, frio e inexpressivo, mas uma devoção fervorosa, inflamada pela verdade.”
    CAPÍTULO 2: POR QUE USAR NOSSA MENTE?
    Neste segundo capítulo Stott aborda algumas razões (cristãs e seculares) segundos as quais devemos usar a mente. Segundo o argumento do autor, “as grandes doutrinas da criação, revelação, redenção e julgamento envolvem o fato de que o homem tem um dever inevitável tanto de pensar quanto de agir com base no que pensa e conhece.” E em cima disso o capítulo é desenvolvido.
    Stott aborda 4 pontos:
    1. criação: Devemos nos atentar ao fato de que fomos criados com a capacidade de pensar e que devemos utilizar nossa racionalidade de forma sensata, prudente e honrosa.
    2. revelação: As formas como Deus se manifesta e se revela evidenciam a importância da nossa mente (tanto na natureza, quanto na Escritura e em Cristo).
    3. redenção: Deus traz salvação aos pecadores através da proclamação do evangelho (manifesta em palavras dirigidas à mente).
    4. julgamento: “Se algo está claro sobre o ensinamento bíblico a respeito do julgamento de Deus, é que ele nos julgará por nosso conhecimento e resposta (ou falta dele) à revelação”.
    Com maestria, John Stott desenvolve o tema de forma que possamos entender com facilidade a importância da mente na nossa vida, e em todo momento fundamenta seus argumentos nas Escrituras, o que os torna confiáveis, e não meramente opiniões pessoais.
    CAPÍTULO 3: A MENTE NA VIDA CRISTÃ
    Bom, este é o penúltimo capítulo do livro e aqui Stott destaca 6 aspectos da vida cristã que se tornam impossíveis sem o uso da mente: adoração, fé, santidade, orientação, evangelismo e o ministério cristãos.
    Posso destacar alguns pontos e ideias abordadas que, de fato, causam um impacto direto na nossa vida prática:
    1. Nossa adoração não pode ser irracional. Deve ser uma adoração ‘em verdade’ (João 4:24), e nosso amor ao Senhor deve ser ‘com todo entendimento’ (Lucas 10:27).
    2. O Saltério nos ensina que a definição básica de ‘louvor’ é: ‘Louvar o nome do Senhor’, ou ‘dar ao Senhor a glória devida ao seu nome’. O que louvamos? Tudo que Deus é e tudo que Deus faz. Como temos conhecimento de tais coisas? Usando a mente e estudando a Palavra de Deus.
    3. “Deus se revela a nós através da natureza e das Escrituras. Ao nos alimentarmos e meditarmos no Velho e do Novo Testamentos, podemos “responder em louvor e adoração” inteligentes. Nossa mente deve estar comprometida com a verdade de forma “íntegra e frutífera”.”
    4. A fé e a razão não são opostas, ao contrário, elas são compatíveis. A fé é reflexiva; não consiste em sentarmos em um banco esperando que coisas incríveis aconteçam conosco. Nossa fé é fundamentada no conhecimento que temos sobre as verdades de Deus e nosso evangelismo deve ser uma mensagem sólida e reflexiva, para que os ouvintes possam ter fé (vide Romanos 10).
    CAPÍTULO 4: TRABALHANDO NOSSO CONHECIMENTO
    Neste último capítulo, Stott aborda de forma objetiva, porém bem esclarecedora que todo o nosso conhecimento não é um fim em si mesmo. Não importa se possuímos muito conhecimento teológico ou se temos decorada a Bíblia de capa a capa, se isso não resulta em “adoração, fé, santidade e amor”. Tudo que sabemos não tem nenhum valor se não for colocado em prática, se não for vivenciado no dia a dia. E conforme o nosso conhecimento aumenta, triplica a nossa responsabilidade de pô-lo em prática.
    Observo um erro que tem se tornado habitual: somos tentados a assistir milhares de pregações de Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, e outros nomes influentes no cristianismo, e sem pensar duas vezes compramos 400 livros diferentes sobre teologia. Queremos indubitavelmente ler as Institutas de João Calvino e ter todas as Bíblias de estudo existentes no mercado. Porém, tudo isso feito de forma errada não tem valor. Queremos nos encher de conhecimento, e no final, só nos enchemos de orgulho (1 Co 8.1); isso porque temos adquirido conhecimento SEM o amor que edifica, e não temos aplicado o que sabemos em cada aspecto de nossas vidas. Temos a ambição de sermos sábios, para que possamos sair vencedores nos debates e discussões sobre a Palavra, e sequer nos importamos em cumpri-la. Importa VIVER a verdade, não só pregá-la. Importa crescer em conhecimento E AMOR, não só em conhecimento.
    Enfim, todo esse tema abordado no livro de Stott é, sem dúvidas, MUITO necessário e relevante. Não só para os que nunca tiveram em contato com essas verdades, mas também para os que já sabem, pois é sempre edificante relembrarmos as velhas verdades bíblicas.
    Recomendo este livro para todos que possuem dúvidas sobre o assunto “Fé VERSUS Razão”. É um livro pequeno e de fácil compreensão. Para quem se interessar, está disponível na loja da Editora Ultimato: http://www.ultimato.com.br/…/produtos/crer-e-tambem-pensar-1 por apenas R$ 23,50.
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