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    sábado, 5 de março de 2011

    Bíblia antiga, teologia liberal?



    Por: Luiz Sayão

    Nas últimas décadas têm surgido diversas traduções contemporâneas da Bíblia em diversas línguas do mundo. A principal razão dessa empreitada mundial é a necessidade de comunicar as Escrituras de modo claro e inequívoco. Uma das versões estrangeiras que tem chamado a atenção pela qualidade de seu trabalho é The Message (A Mensagem), elaborada por Eugene Peterson. Em português, novas versões têm tido impacto na vida eclesiástica nacional. Almeida Atualizada 2ª Edição, Nova Tradução na Linguagem de Hoje, Nova Versão Internacional e Versão Almeida Século 21 representam alguns dos principais esforços de tradução recentes das Escrituras. O impressionante é que até a Igreja Católica Romana, conhecida por sua resistência histórica de entregar ao povo comum a Bíblia no vernáculo, hoje tem publicado versões contemporâneas e técnicas: Nova Bíblia de Jerusalém, Bíblia do Peregrino, Bíblia Vozes, Bíblia Pastoral, etc.


    Todavia, a produção de muitas versões novas e revisadas tem, às vezes, sido vista de maneira pouco simpática. Alguns por falta de conhecimento ou por má interpretação têm sugerido que esses esforços de tradução contemporâneos são negativos e rompem com a boa teologia histórica da Igreja Cristã. Essa resistência aparece em alguns círculos evangélicos que entendem que as versões bíblicas bem antigas são a única alternativa para as igrejas cristãs evangélicas. De certa forma, essa tendência é um reflexo menor do que acontece no ambiente norte-americano com a Versão King James. Na verdade, trata-se de uma versão posterior à Reforma. Todos sabem que nem Lutero, nem Calvino usaram a King James Version, que só surgiu em 1611. A versão inglesa foi patrocinada pelo rei Jaime, cuja conduta pessoal foi muito questionada, e passou por muitas revisões e correções, mas mesmo assim tornou-se para muitos evangélicos americanos mais valiosa do que os próprios textos originais.



    Geralmente, quando se questiona a validade das novas versões, o critério apresentado pelos que defendem versões mais antigas é teológico. Muitos dizem que as novas versões excluíram textos inspirados, negando doutrinas fundamentais da fé. A idéia equivocada é que as novas versões têm o interesse de diluir a fé cristã ortodoxa histórica e fundamentada na autoridade da Palavra de Deus. A grande verdade é que as diferenças de tradução das versões bíblicas existem por causa (1) da época em que foram elaboradas, (2) do nível de linguagem que utilizam, (3) dos manuscritos disponíveis para a consulta, (4) dos instrumentos lingüísticos utilizados e (5) da filosofia de tradução. As diferenças de manuscritos são motivo de maior debate para muitos defensores das versões mais antigas. Na verdade, essa diferença existe pelo fato de muitos manuscritos do Novo Testamento terem sido descobertos nos últimos séculos. Isso levou diversos estudiosos a fazerem uma avaliação destes manuscritos, o que trouxe algumas mudanças em alguns textos bíblicos. No fundo, tais mudanças não mudam em nada a fé cristã. A maior diferença entre o texto das versões antigas e das versões mais recentes é Cristo Jesus em vez de Jesus Cristo. A semelhança dos textos ultrapassa 95%. Todavia, para os leigos, a questão torna-se polêmica, pois o argumento contra as versões mais recentes é “teológico”. Afirma-se que elas mudaram textos fundamentais com a intenção de desacreditar doutrinas essenciais.



    Neste artigo vamos mostrar que se o mesmo argumento for usado contra as versões mais antigas, elas também poderão ser classificadas como “pervertedoras da fé”.



    O primeiro texto que merece ser citado é Atos 4:25. As versões mais recentes acompanham a NVI: “Tu falaste pelo Espírito Santo por boca do teu servo, nosso pai Davi.” Já a versão corrigida antiga “omite” o Espírito Santo, e diz: “Que disseste pela boca de Davi”. Por que isso acontece? Será que o tradutor não cria na inspiração da Bíblia? Ou talvez negasse a inspiração pela ação do Espírito Santo? Por que “excluir” o Espírito Santo num texto messiânico tão importante? Como diz a linguagem popular: “Aí tem!” Na verdade, nem a versão bíblica antiga nem os tradutores negam as verdades bíblicas. O fato é que nesse versículo o texto dos manuscritos encontrados mais recentes traz a referência direta ao Espírito Santo. Em outros textos, as versões mais antigas vão confirmar que crêem na inspiração das Escrituras e no Espírito Santo.



    Um outro exemplo interessante está em Judas 25. Compare as versões: "Ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém!" Aqui está o texto da NVI, acompanhado por todas as versões, exceto pela versão corrigida, que traz:
    “25 Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (Corrigida Fiel). Como se pode ver, na versão corrigida “omite-se” Jesus Cristo, nosso Senhor, e antes de todos os tempos. O que se poderia concluir disso? Será que eles têm outro Senhor que não é Jesus? Este Senhor não existe “antes de todos os tempos”? Seria uma versão herética e demoníaca? Podemos julgá-la plenamente por esse versículo? Conforme já demonstramos, é claro que não.



    Além dos problemas de manuscritos poderíamos citar inúmeros versículos que “provam” a ilegitimidade doutrinária das versões mais antigas. Poderíamos dizer que elas talvez tivessem uma agenda homossexual, pois em Levítico 13:29 afirmam que “mulher tem barba”. Alguém poderia imaginar que elas induzem à prática do pecado, pois em Tiago 1:2, o texto diz: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações”. Poderíamos dizer que seus tradutores e revisores são deístas, pois em Romanos 8:28 traduzem “…todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus”, em vez de seguir manuscritos que afirmam que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam”.



    Como podemos observar, todas as versões bíblicas têm seus méritos e imperfeições. A questão deve ser tratada do ponto de vista técnico e objetivo. Nenhuma versão pode ser classificada teologicamente a partir de um exame superficial e frágil. É muito importante entender que devemos avaliar todas as versões a partir de vários critérios e escolher a que se mostrar mais fiel e adequada para comunicar a mensagem de Deus. Todavia, devemos lidar com a questão com prudência, respeito e bom senso. Afinal de contas, como diz a Bíblia: “36 Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa [frívola/inútil] que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. 37 Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” (Mateus 12:36-37).

    Luiz Sayão estará ministrando na VINACC  

    Palestra 9
    Local: Central de Palestras – Ilha 9
    Preletor: Pr. Luiz Sayão – IBNU/SP
    Tema: O problema do mal no Antigo Testamento – Parte 1



    Palestra 9
    Local: Central de Palestras – Ilha 9Preletor: Pr. Luiz Sayão – IBNU/SP
    Tema: O ministério cristão diante da pós-modernidade  – Parte 1



    Palestra 10
    5º Fórum Campinense para uma Família Sadia
    Local: Central de Palestras – Ilha 10Preletor: Pr. Luiz Vieira – ICNV-CG/PB
    Tema: O papel da igreja em relação às famílias.



    Noite: 19h
    Local: Representação do Tabernáculo Bíblico – Parque do Povo
    Preletor: Pr. Luiz Sayão – IBNU/SP
    Tema: A Deus toda Glória
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