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    quarta-feira, 4 de maio de 2016

    O Evangelho da Prosperidade um "evangelho de ganância"

     
    O “evangelho da prosperidade” também chamado “evangelho da saúde e da riqueza”, “evangelho do determine e reivindique” ou “evangelho da ganância” é uma das ênfases que mais cresce na igreja contemporânea. Inicialmente proeminente em igrejas pentecostais e carismáticas, agora está disseminada por várias denominações e tradições eclesiásticas.
    O pastor Nigeriano Femi Adeleye autor também do livro autor dos Pregadores de um evangelho diferente (Preachers of a Different Gospel) (Zondervan, 2011), nesse extenso artigo que dividiremos em partes mostra de maneira clara os perigos desta "teologia" para a igreja de Cristo e porque do seu crescimentos em diferentes tipos de denominações.

    O evangelho concentra-se basicamente em posses materiais, bem-estar físico e sucesso nesta vida: que inclui principalmente recursos materiais abundantes, saúde, roupas, casas, carros, promoções no trabalho, sucesso nos negócios, bem como outras ambições da vida. Esse evangelho afirma que os crentes têm direito às bênçãos da saúde e da riqueza e que podem obter essas bênçãos mediante confissões positivas de fé e do “semear e colher” pelo pagamento fiel dos dízimos e ofertas. 

    O volume da aquisição material e do bem-estar é muitas vezes equiparado à aprovação divina. Embora a Bíblia afirme que Deus se importa com seu povo, abençoando-o e suprindo suas necessidades — e embora haja formas legítimas de trabalhar para suprir essas necessidades — esse evangelho muitas vezes faz da busca por bens materiais e do bem-estar físico um fim em si. As Escrituras são sempre aplicadas e, às vezes, mal interpretadas ou manipuladas para promover a ênfase central do “evangelho da prosperidade”.

    1. Alguns proponentes pioneiros da ênfase:

     Antes de entrar na hermenêutica do “evangelho”, é bom examinar alguns dos que promoveram sua ênfase principal. É fácil encontrar as raízes do evangelho da prosperidade nos Estados Unidos. Não há dúvidas de que muitas coisas positivas tiveram origem nos Estados Unidos da América, incluindo-se a rica herança cristã dos avivamentos do século XVIII e a tradição evangélica do século XX. Entretanto, foram principalmente os televangelistas americanos que deram proeminência à busca do materialismo e da ascensão social por meio do “evangelho da prosperidade”. Muitos americanos concordarão que esse evangelho nada mais é do que o velho sonho americano renovado com roupagem bíblica. 

    De acordo com Don McConnell, “a doutrina da prosperidade é um exemplo grosseiro da acomodação cultural da igreja aos valores mundanos”.1

    Warren Wiersbe identifica o “evangelho do sucesso” como aquele que se harmoniza perfeitamente com a sociedade americana que “cultua a saúde, a riqueza e a felicidade”.2 De acordo com Gordon Fee,

    O cristianismo americano está sendo rapidamente infectado por uma doença insidiosa, o chamado evangelho da “riqueza e da saúde” — embora contenha bem pouco do caráter do evangelho. Em sua formas mais descaradas… simplesmente diz: “Sirva a Deus e fique rico”… nas mais respeitáveis — mas perniciosas — constroem catedrais de cristal de quinze milhões de dólares para a glória do cristianismo suburbano afluente.3
    No livro, Defeating the Dragons of the World [Derrotando os dragões do mundo], Stephen D. Eyre identifica corretamente essa tendência cultural que invadiu a igreja como o “dragão do materialismo”. A respeito de seus efeitos ele escreve: 


    O Dragão do Materialismo nos leva à preocupação com o lado material da vida. Todo o nosso tempo, energia e pensamentos ficam concentrados nos aspectos físicos da vida. Nós nos tornamos materialistas na prática. Sabemos que a vida é mais que isso, mas nosso modo de viver mostra que adotamos o credo do Dragão do Materialismo: “Tudo o que importa são as coisas.4
    Enquanto o Americano médio conquista sua prosperidade, com toda honestidade, com o suor do trabalho duro — com exceção daqueles que acertam na loteria —, os televangelistas desejam riqueza instantânea pela manipulação de outras pessoas. O evangelho da prosperidade que emerge de seu contexto cultural e é potencializado por meio da televisão deve ser visto como nada menos que um materialismo que se transformou num dragão e ídolo que escraviza seus criadores. Jim Bakker, fundador do ministério PTL e Heritage USA, cujo império entrou em colapso em 1987, mas se arrependeu depois, deu a entender isso numa entrevista à revista Charisma. Ele admitiu que o PTL se havia transformado numa torre de Babel. Além disso, em suas palavras, “permiti que o ministério PTL crescesse de tal maneira que os prédios no Heritage USA tornassem quase mais importantes que a mensagem de Jesus Cristo. Minha visão era tão importante que eu trabalhava dia e noite para manter vivo essemonstro”.5 Dessas raízes, hoje a prosperidade se espalha praticamente pelo mundo todo.

    Entre os americanos proeminentes cujo evangelho da prosperidade tem influenciado a igreja na África estão Oral Roberts e seu filho, Richard Roberts, com seu evangelho “sementes de fé”. Depois temos Kenneth e Gloria Copeland, com a heresia evangelho da “recompensa cem vezes maior”; John Avanzini, que apregoa um Jesus riquíssimo; bem como Frederick Price, que afirma que dirige um Rolls Royce porque está seguindo os passos de Jesus.6 Depois há Morris Cerullo e Robert Tilton. A maioria é da tradição televangelista. Outros mestres da fé estreitamente associados com a tradição deles são Kenneth Hagin, Fred Price e Paul Couch. E, mais recentemente, outros incontáveis.
    Oral Roberts e seu filho Richard Roberts: O Comboio “Sementes de Fé”
    Não há influência maior no surgimento do evangelho da prosperidade na Nigéria que Oral Roberts, cujo ensino foi acolhido e ensinado pelo Bispo Benson Idahosa — o indiscutível pai do evangelho da prosperidade na Nigéria. O princípio da semente de fé de Oral Roberts é baseado num pensamento que ficou claro como cristal para ele no início da década de 1950. O pensamento é: “qualquer coisa que você conseguir conceber, e crer, você pode fazer”.7 De acordo com Roberts,
    Senti meu interior começando a se agitar. Sentia-me levantar por dentro. Fiquei entusiasmado quando comecei a ver o significado da ideia que Deus trouxe à minha mente: qualquer coisa que você conseguir conceber, e crer,você pode fazer! Vi que Deus primeiro concebeu o mundo e o homem. Vi que ele creu. E que fé! Deus acreditou no homem o suficiente para criá-lo com o poder de escolher o bem e o mal, de viver de modo positivo ou negativo, de crer ou duvidar, de aceitar Deus ou denunciá-lo.8

    Só nesse início Roberts desconsiderou pelo menos dois pontos. Primeiro, não viu que ele não era Deus para conceber “qualquer coisa”. Segundo, fé bíblica não é “conceber qualquer coisa”: é confiar em Deus. Mas foi essa ideia que convenceu Roberts de que “tudo o que Deus faz começa com uma semente plantada”.9 Assim, convenceu-se de que “Deus só pode multiplicar o que você dá. Se você não dá nada, mesmo que Deus queira multiplicar, ainda será nada”.10 Nossos dízimos ou ofertas a Deus são, portanto, SEMENTES DE FÉ. A partir disso Oral Roberts construiu sua doutrina das sementes de fé, com base em “Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão” (Gn 8.22).11 Deus só nos dará de volta o tanto que tivermos plantado como sementes. Na semeadura da fé a semente é a oferta. Para Roberts, a oferta semeada é multiplicada e devolvida a nós para que tenhamos “carne” em casa — ou mais do que o necessário para nossas necessidades pessoais. Disso Oral Roberts desenvolveu seu princípio “Espere por um Milagre”, salientando que, por meio da oferta semeada, todos os problemas intransponíveis podem ser solucionados. Em essência, Deus se torna um agente de seguros em quem investimos com expectativas de lucros.
    É desse modo que Oral Roberts usou as mídias do rádio e da TV para atrair pessoas para seu ministério. Por meio de seu programa “Expect a Miracle” [Espere um milagre], Oral Roberts divulgou seu princípio de sementes de fé, vendeu lenços especiais como “tecidos de oração” e também “pontos de contato” para milagres. Os que necessitam deles, claro, precisam enviar uma doação. De acordo com Peter Elvy em Buying Time [Tempo de Compras], Oral Roberts também publicou uma edição especial da Bíblia com um comentário de 259 páginas. “Não está à venda. Deus me inspirou a enviá-la como presente a todos os que fizerem um compromisso de semente de fé de US$120 para o trabalho que está em andamento na cidade do Faith Medical e Research Centre [Centro de Medicina e Pesquisa Fé], onde medicina e orações se combinam para a cura de milhões”.12
    Em seu livro Ashes to Gold [De Cinza para Ouro], Patti Roberts comparou as táticas do ex-sogro à prática de venda de indulgências de João Tetzel.13 Em contraste com Tetzel, que oferecia salvação em troca de dinheiro, Oral Roberts apelava às necessidades das pessoas por meio de seu princípio de sementes de fé.
    Aconteceu de eu estar vivendo nos Estados Unidos no auge dos escândalos dos televangelistas na década de 1980. Ali, em janeiro de 1987, Oral Roberts disse a seus seguidores que se não levantasse um total de 8 milhões de dólares até março, Deus tomaria sua vida até 1º. de abril. Mídias cristãs e seculares divulgaram isso. Um jogador acabou salvando-o de ser levado por Deus. Oral Roberts é tão controlado por seus métodos para levantar fundos que às vezes recorre a ameaças. Numa conferência em 1992, diz-se que ele teria pronunciado estas palavras:
    Alguns que estão assistindo este ministério no ar prometeram uma grande soma [de dinheiro] para Deus. E vocês agem como se tivessem ofertado, mas não pagaram. Vocês estão tão perto de mentir para o Espírito Santo, que em poucos dias estarão mortos, a menos que paguem o valor que Deus disse. E alguém aqui está captando a mensagem. Você está no limiar de mentir para o Espírito Santo. Não minta para o Espírito Santo. Falou o profeta.14

    Notas

    1 Dan McConnell, The Promise of Health And Wealth (Londres: Hodder and Stoughton, 1990) p. 183.
    2 Warren W. Wiersbe, The Integrity Crisis (Nashville: Oliver Nelson Books, 1988) p. 52; A Crise de Integridade (São Paulo: Vida, 1997).
    3 Gordon Fee, “The Cult of Prosperity”, p. 13 conforme citado por Dan McConnell, The Promise of Health And Wealth, p.170.
    4 Stephen D. Eyre, Defeating the Dragons of the World: Resisting the Seduction of False Values (Downers Grove, IL.60515, USA Inter-Varsity Press., 1987) p. 28.
    5 Jim Bakker numa entrevista a Charisma, (February 1997) p. 48.
    6 Veja Hank Hanegraff, Christianity in Crisis, (Milton Keynes, Inglaterra: Nelson Word Ltd., 1995), p. 187.
    7 Oral Roberts, Miracle of Seed-Faith (Tulsa, Oklahoma: Oral Roberts Evangelistic Association, Inc., 1970), p. 11.
    8 Ibid., p. 11.
    9 Ibid., p. 13.
    10 Ibid., p. 30.
    11 Ibid., p. 31.
    12 Peter Elvy, Buying Time — the Foundations of the Electronic Church (Essex, Inglaterra: McCrimmon Publishing Co Ltd, 1986), p. 81.
    13 Patti Roberts e Sherry Andrews Ashes to Gold (Waco, Texas: Word Books, Publisher, USA 1983).14 Oral Roberts, apresentação na Conferência Carismática Mundial, Melodyland Christian Center. Anaheim, CA (7 August 1992) conforme citado por Hank Hanegraaff em Christianity in Crisis, (Milton Keynes, Inglaterra, 1995), p. 198; Cristianismo em crise: um câncer está devorando a Igreja de Cristo: ele tem de ser extirpado! (Rio de Janeiro: CPAD, 2004).


    Fonte: Lausanne por Femi Adeleye
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