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Calendário Juliano, Calendário Gregoriano e Ano Bissexto






Segundo o célebre cientista, "espaço e tempo são modos pelos quais o homem pensa o mundo, e não condições sob as quais ele vive". Nesse sentido, formas e fórmulas para contar o tempo são também invenções humanas, que variaram geográfica e historicamente.

Civilizações tão distantes no tempo e no espaço como a egípcia e a asteca, por exemplo, tinham naturalmente calendários diferentes, embora baseados no movimento do Sol, da Lua, nas estações do ano, na alternância entre os dias e as noites. Entre os muitos modos que as várias civilizações empregaram para contar o tempo, destaca-se o que hoje é oficial na maioria dos países do mundo.
Nosso calendário é essencialmente uma invenção dos antigos romanos. O historiador latino Tito Lívio (c. 59 a.C.-17 d.C.) atribui ao segundo rei de Roma, Numa Pompílio (715-672 a.C), sucessor de Rômulo, aquele que foi amamentado por uma loba, a criação de um calendário com a duração de 12 meses, que podiam variar entre 31 e 29 dias.

Mercedonius: um mês extra

Na "folhinha" de Numa, o ano consistia de 355 dias, dez a menos que o ano solar (cuja duração coincide com a translação da Terra em torno do Sol). Para compensar a diferença, a cada dois anos se adicionava um mês extraordinário, o Mercedonius, de 22 ou 23 dias. O primeiro mês do ano era Martius (março), dedicado a Marte, o deus da guerra.
Seguia-se Aprilis (abril), dedicado a Vênus. O nome, porém, deriva do verbo latino aprire, abrir, e o que se abria, no caso, era a natureza, pois este mês marca o início da primavera no hemisfério norte. Depois, vinham Maius (maio) e Junius (junho), oferecidos respectivamente às deusas Maia e Juno.
Os meses subseqüentes recebiam o nome de Quintilis e Sextilis, pois eram o quinto e o sexto mês, mas tiveram seus nomes mudados para homenagear os imperadores Júlio César (100-44 a.C.) e Augusto (63 a.C.-14 d.C.). Daí vêm Julius (julho) e Augustus (agosto).
Os meses seguintes voltavam a ser contados de modo numérico, do sétimo ao décimo: September (setembro), October (outubro), November (novembro) e December (dezembro). Só então vinham Januarius (janeiro), dedicado ao deus Janus, e Februarius (fevereiro), que se origina de Februa, uma festividade romana.

Erros de cálculo
Os sacerdotes eram os responsáveis pela administração do calendário na Roma republicana (509-31 a.C.), mas o faziam sem muito zelo, de modo que os erros - intencionais ou involuntários - não tardaram a gerar uma defasagem em relação ao ano solar, que girou em média cerca de três meses, relativamente à passagem das estações. Os meses de inverno passaram a avançar sobre a primavera e assim por diante, até que Júlio César resolveu pôr ordem nas coisas, em 46 a.C.
Ao invadir o Egito, César chamou o astrônomo Sosígenes de Alexandria - personagem histórico sobre o qual há pouquíssimas referências -, e encomendou-lhe a criação de um calendário mais funcional. Queria organizar o tempo para que a história de suas conquistas fosse devidamente registrada e também para estabelecer um calendário civil coincidente com o solar.
O ano foi dividido em 365 dias e as seis horas da translação que não entravam nas contas foram reunidas em um dia a ser acrescentado ao mês de fevereiro de quatro em quatro anos (6h X 4 = 24h).
Esses anos passaram a ser chamados de bissextos (bisextiles), pois considerava-se que o dia 24 ou 25 de fevereiro acontecia duas vezes (isto é, tinha um bis) e tratava-se do sexto dia anterior à calenda de março. "Calenda" era o nome do primeiro dia de cada mês latino. E é dessa palavra, claro, que se origina o termo calendário.

O calendário juliano e o ano da confusão
O calendário dito juliano entrou em vigor em 46 a.C. mesmo. Porém, para se acertarem as contas desde a lendária fundação de Roma, em 753 a.C., aquele ano precisou ser totalmente atípico, contando com 432 dias. Com isso, o novo mês de janeiro teria se sobreposto ao mês de março na contagem anterior, mudando a ordem dos meses para a atual.
Confuso? Pois saiba que o ano de 46 a.C. entrou para a história como "o ano da confusão". Para piorar, algumas das regras estabelecidas por Sosígenes foram mal interpretadas e o imperador Augusto foi forçado a proceder correções em 8 a.C. - aproveitando para dedicar um mês em sua homenagem. Embora se intercalassem os meses de 30 e 31 dias, agosto ficou igual a julho, para não haver diferenças entre os imperadores homenageados.
De qualquer modo, somente cerca de 1,6 mil anos depois uma nova reforma do calendário foi necessária para, mais uma vez, fazer coincidir o ano civil com o ano solar. O ajuste foi formulado por uma comissão de estudiosos, a mando do papa Gregório 13 (1502-1585), de onde o nome de calendário gregoriano.
As novidades desse calendário são:

1) que os anos divisíveis por 100 não são bissextos; um século dura 36.542 dias, de modo que a duração média dos anos quase corresponde à translação da Terra;

2) os anos divisíveis por 400, como 1600 e 2000, são bissextos, de modo que os anos se estendem geralmente por 365 dias, 5h, 49 minutos e 12 segundos, um tempo quase idêntico ao do ano solar (365 dias, 5h, 48m, 46s).

Calendário gregoriano
O calendário gregoriano só precisa de uma alteração para se ajustar ao ano solar a cada 3 mil anos. Foi adotado a 15 de outubro de 1582 em todos os países católicos. Os protestantes demoraram um pouco mais a aderir, uma vez que não aceitavam a interferência do papa.
A Inglaterra, por exemplo, só passou a segui-lo a partir de 1752. Da mesma maneira, nos países onde vigora o cristianismo ortodoxo, como a Rússia, o calendário juliano continuou a valer até as primeiras décadas do século 20.

É interessante lembrar que a Revolução Francesa criou um novo calendário que vigorou na França entre 1792 e 1805, quando o gregoriano voltou a ser adotado. Também não se deve esquecer que os calendários religiosos judaico e islâmico diferem essencialmente do gregoriano por não tomarem o nascimento de Cristo como referência para a contagem do tempo.

Hoje em dia, porém, o calendário gregoriano é convencionalmente adotado para demarcar o ano civil no mundo inteiro. Essa unificação decorre da praticidade, bem como do fato de a Europa ter, historicamente, exportado seus padrões para o resto do globo.

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