Capitulo 1 da série "O Sinal na Areia" - O Mundo Perfeito
Em um futuro próximo, a humanidade alcança feitos inimagináveis: aprendizado instantâneo via interface neural, cidades em Marte e na Lua, governos globais unificados e a promessa de fim da pobreza e das guerras. Porém, por trás dessa ordem perfeita, surge uma líder carismática mundial que apresenta soluções milagrosas — mas que, aos poucos, revela traços proféticos que ecoam silenciosamente os livros de Daniel e Apocalipse.
A história acompanha Eliã, uma pessoa comum, sem conhecimento bíblico, que começa a perceber que algo está errado. Sua jornada é de descoberta, confronto, revelação e fé
Ninguém mais ia à escola.
Não porque o mundo tivesse abandonado o conhecimento… mas porque aprender se tornara instantâneo.
Bastava um comando mental.
Eu me lembro do dia em que ativei meu implante neural pela primeira vez. Uma sensação de calor percorreu minha mente, como se milhares de portas fossem abertas ao mesmo tempo. Idiomas, cálculos, história, medicina — tudo ali, disponível em segundos.
Disseram que aquilo era liberdade.
E, no início, eu acreditei.
As cidades brilhavam mais do que nunca. Não havia mais filas nos hospitais. A fome havia sido praticamente erradicada. Colônias floresciam em Marte e na Lua, transmitindo imagens que pareciam cenas de filmes antigos.
O mundo finalmente havia se unido.
Havia apenas um governo global. Uma só voz. Uma só direção.
E à frente de tudo isso estava ela: Aurora Valen.
Ela não gritava. Não ameaçava. Não impunha.
Ela convencia.
Falava de paz como quem a conhecia intimamente. Falava de unidade como quem a construíra com as próprias mãos. Onde antes havia conflitos, ela apresentava soluções simples. Onde havia medo, ela oferecia segurança.
Todos confiavam nela.
Mas havia algo… algo que eu não conseguia explicar.
Mesmo com acesso a todo conhecimento do mundo dentro da minha mente, havia uma pergunta que nenhum dado conseguia responder:
Por que eu me sentia cada vez mais vazio?
Às vezes, à noite, quando o sistema entrava em modo de descanso, eu tinha sonhos estranhos.
Sonhava com uma luz diferente — não artificial como as que iluminavam nossas cidades, mas viva. Quente. Real.
E uma voz suave ecoava dentro de mim, dizendo algo que eu ainda não compreendia:
“Nem todo progresso é liberdade.”
Eu não sabia, naquele momento, que essa seria apenas a primeira rachadura no mundo perfeito.
E que a verdade… estava prestes a ser revelada.




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